ELVAS: CASA DA HISTÓRIA JUDAICA ABRIU AO PÚBLICO

ELVAS: CASA DA HISTÓRIA JUDAICA ABRIU AO PÚBLICO

13 de Abril de 2019, 15:55h 0 Por Matilde Castanho

Foi durante um Sabat – sábado – que a Câmara Municipal de Elvas abriu ao público a Casa da História Judaica na Rua dos Açougues. O edifício, que anteriormente servia como açougue municipal, foi indicado como sendo o possível local de culto judeu – Sinagoga.

Existem marcas da cultura judaica em Portugal – e em Elvas – desde o final do Império Romano do Ocidente. Durante o período da Reconquista a população judaica foi bastante importante na povoação dos territórios recuperados, formando várias comunas e judiarias nas cidades e vilas – o centro organizacional destas comunidades era a Sinagoga, pois representava um importante local de culto religioso e de assembleia e reunião civil. Na verdade, a primeira dinastia portuguesa distinguiu-se perante outros reinos cristãos, por não exigir às populações judaicas que se identificassem (utilizando chapéus amarelos, ou marcas hexagonais e avermelhadas).

No entanto, apesar de partilharem território, a coexistência entre cristãos e judeus não era pacífica, factor que se podia atribuir não só aos conflitos no âmbito das crenças, mas também relacionado com as diferentes perspectivas económicas entre as culturas. Em 1492, ano da expulsão dos judeus de território espanhol, o monarca D. João II permite ao povo que procure exílio em Portugal, mediante o pagamento de uma quantia por ele estipulada – caso contrário eram submetidos a escravatura. No ano de 1496, D. Manuel I ordena que os judeus abandonem o país, o que resulta na conversão forçada de quase vinte mil ao Cristianismo, surgindo assim a denominação “cristão-novo” – uma comunidade permanentemente vigiada e controlada e, em caso de crise, escolhida como bode expiatório. Um dos momentos mais negros da história portuguesa e judia, denominado a Matança da Páscoa, remete para o ano de 1506, quando um frade dominicano prometeu 100 anos de indulgências a quem matasse os hereges que, segundo ele, eram os culpados pelos surtos de seca e epidemias que assombravam Portugal.

A diferenciação entre cristãos novos e cristãos velhos apenas cessaria no século XVIII, sob comando do Marquês de Pombal.

Deste modo, depois de análise e descoberta de vários fatores que indiciam a possibilidade de se ter descoberto, em Elvas, uma antiga Sinagoga, a abertura ao público de um espaço dedicado à cultura judaica revela a existência de um espírito de tolerância, respeito e aceitação de outras realidades.

A Casa da História Judaica de Elvas está aberta de terça-feira a domingo, das dez da manhã, até às seis da tarde, com interrupção entre o meio-dia e as três.