PORTALEGRE/CASTELO BRANCO: UNIVERSIDADE DE SALAMANCA RECEBE EXPOSIÇÃO “PONTOS.PT”

PORTALEGRE/CASTELO BRANCO: UNIVERSIDADE DE SALAMANCA RECEBE EXPOSIÇÃO “PONTOS.PT”

31/10/2020 0 Por Redação

A Universidade de Salamanca (USAL) acolhe a exposição “PONTOS.PT”, organizada pelos municípios de Portalegre e Castelo Branco, entre os dias 30 de outubro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021, na Sala de Exposições Hospedería Fonseca.

Esta exposição decorre no âmbito da cooperação transfronteiriça com o país vizinho, desenvolvendo uma cultura de colaboração ativa, fortalecendo e estimulando dessa forma os laços de participação, criando um crescimento sustentável e reforçando a componente da cooperação com Espanha e a consolidação de redes e parcerias existentes.

Integrada no projeto REDES1234.con, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do programa INTERREG V-A España-Portugal 2014-2020, esta exposição evidencia a estreita colaboração destes municípios da raia com o Serviço de Atividades Culturais da USAL, desde a criação do referido projeto.

Horários (hora espanhola):

3ª Feira a Sábado: das 12h00 às 14h00 e das 17h00 às 20h00

Domingos e Feriados: das 10h00 às 14h00

Encerra: 2ª Feira

 

Sobre…

Tapeçarias de Portalegre

Em 1946, dois amigos, Guy Fino e Manuel Celestino Peixeiro, decidiram fazer reviver a tradição dos tapetes de ponto de nó, em Portalegre. A competição era grande e o negócio não parecia viável. Foi então que Manuel do Carmo Peixeiro, pai de Manuel Celestino, propôs aos dois jovens fazerem tapeçarias murais, com um ponto inventado por ele, anos antes, quando era estudante têxtil, em Roubaix, na França. Com a ajuda de João Tavares, pintor portalegrense e professor do Liceu, que desde o primeiro momento mostrou grande entusiasmo pelas tapeçarias, surgiram os primeiros ensaios e a primeira tapeçaria com o ponto de Portalegre, Diana, saída do tear em 1947.

Almada Negreiros, Júlio Pomar, Manuel Lapa, Jorge Barradas, Maria Keil, Ventura Porfírio e Lima de Freitas responderam de imediato ao convite feito pelos responsáveis e assinaram obras tecidas com uma técnica que começava a dar os seus primeiros passos. Foi um caminho árduo, desde 1947 até ao reconhecimento nacional e internacional das Tapeçarias de Portalegre, hoje consideradas o ex-libris da cidade que as viu nascer.

As primeiras encomendas do governo surgiram em 1950, depois de uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes e da participação no 1º Salão de Artes Decorativas. Embora já em 1952 a qualidade e as capacidades técnicas das Tapeçarias de Portalegre tivessem sido reconhecidas pelos técnicos franceses, presentes em Lisboa para uma grande exposição de tapeçarias francesas, a verdadeira internacionalização aconteceu em 1958, quando Jean Lurçat começou a mandar tecer as suas tapeçarias em Portalegre. Em 1952, no Secretariado Nacional de Informação, numa exposição paralela à referida exposição de tapeçarias francesas, Guy Fino teve a ousadia de expor duas grandes tapeçarias de Guilherme Camarinha, juntamente com os cartões originais que lhe haviam dado origem. A comparação das obras de arte, em dois suportes tão distintos, comprovou as possibilidades imensas que o “Ponto de Portalegre” possuía.

 

Colchas de Castelo Branco

Nesta exposição, a seção dedicada às Colchas de Castelo Branco foi organizada de acordo com dois núcleos muito distintos. No primeiro, estão expostas peças antigas, exemplares dos séculos XVII e XVIII que, durante muito tempo, foram consideradas como “de” Castelo Branco. O outro núcleo apresenta peças bordadas resultantes da operação de relançamento da Manufactura de Colchas, iniciada em 1939/40. São estes dois tempos, um tempo histórico, do qual se sabe muito pouco, e um tempo recente, correspondente à produção do século XX, os que enquadram a perspetiva desta exposição.

As Colchas de Castelo Branco são peças que se usavam sobre as camas. Bordadas com seda natural sobre linho, nelas predomina o que se chama atualmente de Ponto de Castelo Branco. Antes dos anos 40 do século passado, esse mesmo ponto denominava-se ponto largo e, como a seda com que se bordava era solta, pouco torcida, também se dizia “bordar solto”. 

Este ponto de bordado, os motivos e as composições em que se utiliza, assim como o uso exclusivo de seda natural, conferem ao bordado de Castelo Branco uma especificidade e uma riqueza que o tornam único, no conjunto dos bordados portugueses. Esta circunstância é ainda mais destacada por uma gramática decorativa que, no essencial, seria definida no século XVIII.