O salão nobre dos Paços do Concelho acolheu, na manhã desta quinta-feira, dia 8, uma conferência de imprensa para abordar a recente descoberta de novos núcleos de arte rupestre nas margens do Guadiana, perto da Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, no concelho de Elvas.
 
Neste encontro com os jornalistas, marcaram presença a diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, e o especialista em arte rupestre pré-histórica, António Martinho Batista.
 
O arqueólogo António Batista foi o primeiro a intervir, para referir que foram “encontradas cinco pequenas rochas, que ainda não tinham sido detetadas aquando do levantamento feito em 2001, na sequência da construção da Barragem do Alqueva”. 
 
Este especialista referiu que as mesmas “só foram detetadas agora pelo facto de a margem do Guadiana ser bastante larga, com uma grande magnitude e a correnteza, que podem ter feito que surjam achados que ainda não tinham sido detetados”.
 
Sobre a datação das rochas, o arqueólogo referiu que “são pré-históricas, facilmente identificadas com o período calcolítico, com mais de cinco mil anoa, com motivos não figurativos, de arte esquemática. Arte dos povos, que viviam nesta época nestes povoados, sendo objetivo deste estudo complementar o inventário feito em 2001”.
 
A diretora Regional de Cultura do Alentejo agradeceu a colaboração do Município de Elvas nesta vertente, acrescentando que atualmente estão a “fazer o estudo do achado, num trabalho em parceria com a Câmara Municipal de Elvas, sendo que agora as atenções estão concentradas no estudo e conhecimento do que foi encontrado”.
 
Nuno Mocinha agradeceu a disponibilidade da equipa que está a estudar as gravuras, “pela sua total colaboração”, acrescentando que neste omento o importante é a “certificação técnica de que as rochas são, de facto, gravuras rupestres, datadas com mais de 5 mil anos”.

O autarca salientou ainda que “estas fazem parte de um conjunto maior e tivemos oportunidade de descobrir, estudar e registar este conjunto”, estando a autarquia “disponível para as ações que vierem a ser necessárias realizar”.

Ao longo desta semana, decorreu a campanha de estudo e documentação destas manifestações artísticas.
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