28/09/2021

TV Guadiana

Alentejo em Direto

LITERATURA: "SOBRE PENSAR E ESCREVER…"

<p style="text-align: justify;"> <img alt="" src="images/Carmen/Carmen 2.jpg" style="width: 200px; height: 170px; float: left;" /><strong>Complicamos… </strong></p> <p style="text-align: justify;"> A vida é complicada, mas muitas vezes complicamos mais do que deveria ser considerado aceitável. Em meu nome falo. Será por querermos alcançar a perfeição, será por sermos demasiado ambiciosos, ou é simplesmente uma característica do ser humano, como tantas outras?</p> <p style="text-align: justify;"> Complicamos o nosso dia-a-dia por querermos dar conta de tudo, queremos dar conta do recado. Queremos ser super-homens e super mulheres. A sociedade exige-nos, e nós, tolos, vamos neste filme. Afinal quem faz a sociedade? Somos todos nós. Velhos, novos, crianças, gordos, magros, negros, brancos, cristãos, judeus, e por aí. Todos diferentes. É na heterogeneidade que está a riqueza e a alma de uma sociedade que se quer plural. É na pluralidade que reside a nossa democracia, que tanto esforço exigiu e tantas vidas tolheu. Em nome da democracia muitas batalhas se travaram, guerras de sangue se edificaram, que mudaram a paisagem mundial até então instalada. Depois vem esta tal sociedade que nós próprios criámos e quer que nós caibamos todos no mesmo padrão.</p>
Então, complicamos como?
Passamos a vida a querer fazer tudo igual aos outros, seguindo modelos que os mass media nos impõem como exemplos e únicas alternativas. Não digo que seja uma atitude consciente da nossa parte, mas, sem darmos conta obrigamo-nos a encaixar num modelo. É como vestirmos naturalmente um 38 de calças, que até nos assenta que nem uma luva, e querermos por força caber num 36. O que acontece? Rebentamos pelas costuras! Na vida, no geral, é igual, se tentarmos vestir um número que não é o nosso, ou nos sobra ou nos falta algo; perdemos a identidade.

É aqui que começamos a complicar. Quando tentamos enfiar-nos num 36, que exige de nós um esforço supérfluo.

Os outros pedem e nós damos, queremos dar sempre, queremos agradar aos outros sempre. Esquecemo-nos de pensar naquilo que nós próprios queremos, qual é a nossa prioridade, o que nos faz feliz?

A democracia deu-nos esse privilégio ímpar que é escolher; escolher a roupa a usar, o bar a frequentar, os amigos para conviver, o desporto a praticar, a comida a gostar…

Aquilo de que eu gosto, não é necessariamente igual àquilo que faz a minha amiga feliz.

Se eu sou feliz num sábado à noite, em casa, porque “raio” tenho de sair?

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