JOÃO FERREIRA EM DESTAQUE NO BP ULTIMATE RALLY RAID PORTUGAL E PORTUGUESES DOMINAM CATEGORIAS
ETAPA MAIS LONGA FOI UM TESTE DE DAKAR E PORTUGUESES ESTIVERAM EM DESTAQUE
CRÓNICA DA 2ª ETAPA – BP ULTIMATE RALLY RAID PORTUGAL 2025
A segunda etapa do bp Ultimate Rally Raid Portugal transformou-se num verdadeiro teste de resistência, daqueles que se aproximam mais do espírito do Dakar do que de uma prova europeia. Em pleno trajeto até Badajoz, os portugueses roubaram os holofotes: João Ferreira ergueu-se acima das “estrelas” da modalidade nos carros, enquanto Gonçalo Guerreiro e João Dias confirmaram que também nas categorias Challenger e SSV há talento nacional a ditar o ritmo. Nas motos, Daniel Sanders voltou a mostrar porque a KTM continua a ser a referência.
CARROS – A FÚRIA DE JOÃO FERREIRA
A Toyota impôs-se como bloco dominante, mas foi João Ferreira quem deu o golpe de teatro. O jovem piloto português entrou lançado, manteve consistência quando os outros hesitavam e, com um ataque de pura confiança, bateu nomes consagrados como Carlos Sainz. A vitória na etapa valeu-lhe a liderança geral, com vantagem de 3m24s sobre o sul-africano Saood Variawa.
Nem todos tiveram o mesmo fôlego: Nasser Al Attiyah pagou caro os problemas mecânicos e perdeu oito minutos, enquanto Sébastien Loeb viu a sua ambição ser travada por uma suspensão partida. Já Yazeed Al Rajhi, vencedor do Dakar 2025, desistiu após um capotamento. A dureza não perdoou, e o resultado foi um corte drástico entre candidatos e sobreviventes.
CHALLENGER E SSV – PROTAGONISMO PORTUGUÊS
Se nos carros o destaque foi de Ferreira, nas categorias Challenger e SSV os portugueses também tomaram conta do guião. Gonçalo Guerreiro resistiu ao desgaste abrasivo do piso, geriu pneus com inteligência e, apesar de um início condicionado pelo pó, saiu vencedor da etapa e assumiu a liderança da categoria.
Nos SSV, João Dias deu corpo a uma exibição sólida e eficaz, conquistando vitória e comando. Alexandre Pinto, sempre próximo da frente, ganhou margem na corrida ao título, reforçando a ideia de que a armada lusa não está apenas a participar, mas a marcar território.
MOTOS – SANDERS SEGURA O LEME, BRUNO SANTOS SURPREENDE
Nas duas rodas, o duelo foi intenso até ao último sopro. Daniel Sanders e Tosha Schareina travaram uma batalha cerrada durante 429 km cronometrados, resolvida por apenas quatro segundos a favor do australiano da KTM. O espanhol da Honda não se deu por vencido e deixou claro que a luta pelo topo está longe de estar decidida.
Ricky Brabec completou o pódio, mas chegou sem pneus e sem ritmo no final. Mais atrás, Bruno Santos ofereceu uma nota de excelência ao contingente português: foi sétimo na etapa e ascendeu ao segundo lugar da Rally2, impondo-se a máquinas mais potentes. Gonçalo Amaral, por sua vez, brilhou na Rally3, confirmando-se como vice-líder da categoria.
A dureza também deixou marcas profundas: Ross Branch e Adrien Van Beveren, ambos candidatos de peso, foram obrigados a abandonar após quedas violentas, lembrando que cada metro é uma armadilha em potencial.
O BALANÇO
Se a primeira etapa tinha sido exigente, a segunda confirmou que esta edição não está a poupar ninguém. Nos carros, João Ferreira não só assumiu a liderança como ganhou crédito de candidato sério à vitória final. Nas categorias Challenger e SSV, os portugueses mostraram que podem escrever capítulos importantes nesta edição. Nas motos, a KTM ainda dita o ritmo, mas a Honda respira-lhe no pescoço e a Rally2 ganhou um protagonista inesperado com Bruno Santos.
A classificação mexeu, as contas do Mundial ficaram em aberto e o rali entrou num território onde apenas os mais consistentes resistem. A terceira etapa, em Badajoz, promete mais velocidade e terreno favorável ao espetáculo. Mas, depois desta maratona, ninguém arrisca prognósticos: no bp Ultimate Rally Raid Portugal, a glória está reservada a quem conjuga técnica, paciência e nervos de aço.

