RALLY-RAID PORTUGAL: REVIRAVOLTAS QUE MUDAM RUMOS E LÍDERES INESPERADOS NA 3ª ETAPA
UMA ETAPA DRAMÁTICA EM ESPANHA COM JOÃO FERREIRA EM REVÉS E SCHAREINA A BRILHAR
João Ferreira cai para a 32.ª posição da classificação geral após problemas mecânicos e incêndio no veículo.
O REVÉS QUE ABALOU PORTUGAL
O momento mais difícil da jornada teve sotaque português. João Ferreira, que vinha a controlar o ritmo com autoridade, viu a sua corrida interrompida ao quilómetro 161. Uma saída de estrada partiu a jante do Toyota e provocou um incêndio, obrigando a uma longa paragem. Do sonho de lutar pela vitória, restou a descida para a 32.ª posição — prova de como o rally-raid não dá margem para erros.
SCHAREINA INCENDEIA A LUTA NAS MOTOS
Se Ferreira conheceu o lado ingrato da modalidade, Tosha Schareina viveu o contrário. O espanhol da Honda puxou pelo apoio do público da casa e acelerou forte nos últimos quilómetros. Mesmo com pneus já desgastados, conseguiu tempo decisivo e assumiu o comando das duas rodas. Para a marca japonesa, foi um regresso aguardado: desde Abu Dhabi que não liderava uma prova do Mundial W2RC.
Daniel Sanders, que largara como líder, optou por gerir pneus e material, aceitando a perda da dianteira. A diferença, no entanto, é mínima — apenas 42 segundos — e deixa tudo em aberto para as etapas seguintes.
CARROS: LOEB VENCE A ESPECIAL, MORAES SEGUE LÍDER
Nos automóveis, a retificação oficial da etapa trouxe alterações de relevo. Sébastien Loeb, ao volante do Dacia Sandrider, foi declarado vencedor do setor seletivo, com o tempo de 3h06m08s. O francês superou Henk Lategan (Toyota) por 33 segundos e Lucas Moraes (Toyota) por 1m17s.
Apesar do 3.º lugar na etapa, Moraes mantém a liderança da classificação geral. Cumpridas três etapas, o brasileiro dispõe agora de apenas 57 segundos de vantagem sobre Lategan e 5m36s sobre Carlos Sainz, que segue na 3.ª posição com o Ford Raptor. Loeb, com a vitória do dia, subiu para 4.º, a 11m24s da frente.
Carlos Sainz voltou a mostrar consistência mesmo depois de um furo e segue firme na perseguição. Já Moraes, com gestão inteligente, preserva o primeiro lugar, mas a margem encurtada promete duelo cerrado até Lisboa.
PORTUGUESES EM DESTAQUE NAS CATEGORIAS
Se a perda de tempo de João Ferreira deixou amargura, Gonçalo Guerreiro e João Dias deram novo alento às cores nacionais. Guerreiro lidera entre os Challenger e Dias comanda nos SSV, dois desempenhos que se destacam pela qualidade dos adversários presentes.
Nas motos, Bruno Santos voltou a provar a sua rapidez. Chegou a liderar na Rally2, mas uma penalização travou a festa. Ainda assim, terminou a etapa no 8.º lugar da geral, reforçando o estatuto entre os mais competitivos da categoria.
UM DAKAR EUROPEU EM CONSTANTE MUTAÇÃO
A classificação após a 3.ª etapa confirma a essência do rally-raid: nada é definitivo. Schareina assumiu as motos, Loeb venceu a especial dos carros, mas Moraes continua líder, agora com vantagem reduzida sobre Lategan e Sainz.
Entre frustrações e destaques nacionais, o público português continua a vibrar com cada quilómetro deste “Dakar europeu”. E se algo ficou claro nesta etapa, é que basta um pequeno detalhe para reconfigurar toda a classificação.

