RALLY RAID PORTUGAL: SEGUNDOS DE FOGO E TÍTULOS SELADOS
A PROVA CONFIRMOU CAMPEÕES MUNDIAIS E UMA NOVA GERAÇÃO PORTUGUESA
Bernardo Oliveira sagra-se campeão mundial de navegadores SSV, um feito inédito para Portugal.
RALLY RAID PORTUGAL: SEGUNDOS DE FOGO, TÍTULOS SELADOS E A AFIRMAÇÃO DE UMA NOVA GERAÇÃO
O bp Ultimate Rally-Raid Portugal terminou como começou: imprevisível e tenso. Nos autos, a história escreveu-se em segundos. Lucas Moraes e Henk Lategan, ambos em Toyota Hilux, levaram a disputa até ao limite. Depois de 1.119 quilómetros cronometrados, a diferença foi de apenas 53 segundos — prova de que o rali não perdoa distrações. O brasileiro conquistou a sua primeira vitória no W2RC, enquanto o sul-africano saiu com pontos que mantêm a luta pelo título aberta até Marrocos.
MOTOS: DOMÍNIO DE DANIEL SANDERS
Se os autos ofereceram drama até ao último metro, as motos foram palco de domínio absoluto. Daniel Sanders (KTM) venceu três das cinco etapas, conquistou a prova e fechou também o campeonato mundial de RallyGP. Um triunfo anunciado, mas que não perdeu intensidade pela forma como foi confirmado — com regularidade e frieza competitiva. Atrás dele, o espanhol Tosha Schareina e o argentino Luciano Benavides completaram o pódio, reforçando a dureza da categoria.
O FEITO INÉDITO DE BERNARDO OLIVEIRA
Mas talvez a maior faísca desta edição tenha vindo de um nome inesperado para o grande público: Bernardo Oliveira. Natural de Fafe, estudante em Boston e com apenas 20 anos, sagrou-se Campeão do Mundo de Navegadores em SSV. O feito, inédito para Portugal, é um sinal inequívoco de que há uma nova geração pronta para disputar títulos globais. O seu companheiro, Alexandre Pinto, ficou a um passo de igual consagração, travado apenas pela matemática que ainda adia a celebração do título de piloto.
PORTUGUESES EM DESTAQUE
O contingente português mostrou-se em força também noutros palcos. Gonçalo Guerreiro triunfou no Challenger, vencendo três etapas e terminando num sólido sexto lugar absoluto. Nos SSV, o domínio foi total: João Dias esmagou a concorrência com 18 minutos de avanço, seguido por Alexandre Pinto, que reforçou a sua candidatura ao título. Até na derradeira etapa dos autos houve espaço para espetáculo luso, com João Ferreira a impor um ritmo demolidor e a bater nomes como Nasser Al-Attiyah e Carlos Sainz.
OUTRAS CATEGORIAS
Outras categorias também encontraram os seus protagonistas: o espanhol Edgar Canet brilhou em Rally2, o eslovaco Thomas Zoldos levou a melhor em Rally3 e o francês Gaëtan Martínez fechou a Taça do Mundo de Quads, sem precisar de esperar pela ronda de Marrocos.
UM CLÁSSICO EM CONSTRUÇÃO
No fim, esta segunda edição do Rally-Raid Portugal deixou mensagens claras. A primeira: a prova já não é um simples “ensaio europeu” do Dakar, mas um palco decisivo do calendário mundial. A segunda: Portugal não está apenas a organizar — está a vencer, a formar campeões e a marcar presença na linha da frente. Se o futuro do todo-o-terreno procura novas estrelas, parece que algumas já nasceram por cá.

