5 de Fevereiro 2026

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Alentejo em Direto

CÃO SOZINHO EM DESTAQUE NO CINANIMA E ENTRA NA CORRIDA AOS ÓSCARES
CURTA PORTUGUESA DE MARTA REIS ANDRADE DESTACA-SE NUMA SELEÇÃO DE 110 FILMES DE 148 PAÍSES

A vitória de “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade, marcou o encerramento da 49ª edição do CINANIMA, em Espinho. A curta-metragem portuguesa conquistou o Grande Prémio e segue agora para a corrida aos Óscares, após se destacar entre 110 filmes selecionados de 148 países. Segundo a nota oficial do festival, o júri destacou o “estilo visual distinto e original” da obra, que parte de memórias familiares para explorar a persistência da solidão mesmo em espaços cheios de gente.
cao sozinho cinanima

“Cão Sozinho” conquista o Grande Prémio CINANIMA e qualifica-se para os Óscares na categoria de melhor curta-metragem de animação.

CÃO SOZINHO NO CENTRO DO PALMARÉS DO CINANIMA

A 49ª edição do CINANIMA terminou no Centro Multimeios de Espinho com a consagração de “Cão Sozinho”, de Marta Reis Andrade. A curta-metragem conquistou o Grande Prémio CINANIMA 2025, resultado que a coloca diretamente na corrida aos Óscares na categoria de melhor curta-metragem de animação. Entre mais de 2 000 submissões vindas de 148 países, apenas 110 filmes chegaram às competições oficiais, evidenciando a escala da seleção e o alcance internacional da obra premiada.

“Cão Sozinho” parte de memórias partilhadas entre a realizadora e a sua avó para explorar como a solidão pode persistir mesmo quando se está rodeado de outras pessoas. Segundo a nota oficial do festival, o júri destacou o “estilo visual distinto e original” do filme, assim como uma “abordagem inovadora à animação”. A distinção confirma a presença consistente da animação portuguesa no circuito internacional.

CURTAS ENTRE MIGRAÇÕES, FAMÍLIA E MEMÓRIA

A competição internacional de curtas-metragens reuniu propostas muito distintas. O Prémio Especial do Júri foi para “Bus”, de Sylwia Szkiłądź, coprodução franco-belga que segue a imaginação de uma criança que deixa a Polónia rumo à Bélgica. De acordo com a apreciação oficial, o júri destacou a “simplicidade” da narrativa e a forma como o olhar da menina torna visível a experiência migratória.

Já “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães, conquistou o Prémio de Melhor Argumento. O júri falou numa “escolha corajosa” e num storytelling visual marcado por um final intenso. O público também o escolheu como favorito. A secção distinguiu ainda “Hurikán” pela sonoplastia, “Society of Clothes” pela direção de arte e “Water Girl” pela forma como conjuga atmosfera, natureza e ritmo emocional.

LONGAS-METRAGENS E A MEMÓRIA EUROPEIA

Nas longas-metragens, o Grande Prémio foi atribuído a “Memory Hotel”, de Heinrich Sabl, coprodução entre França e Alemanha. A narrativa regressa ao pós-Segunda Guerra Mundial para acompanhar uma jovem que tenta lidar com o trauma das ocupações alemã e soviética. O júri destacou a relevância histórica e formal da obra, construída em stop motion.

A Menção Honrosa distinguiu “Pelikan Blue”, de László Csáki. Segundo o júri, a obra mistura animação e documentário e convida o público a uma “busca anárquica pela liberdade”, combinando personagens envolventes, design vibrante e música marcante.

ALL ABOARD: PERTENÇA E INVISIBILIDADE

A nova competição internacional All Aboard destacou narrativas ligadas à deslocação e ao regresso. A vencedora foi “As if the Earth had Swallowed them Up”, de Natalia León, que acompanha Olivia no regresso ao México para reencontrar o passado. Segundo a justificação oficial, o júri valorizou a forma como o filme “transpõe a invisibilidade para a visibilidade” através da animação.

ESTUDANTES E NOVOS OLHARES NA ANIMAÇÃO

No segmento estudantil, “Between the Gaps”, de Martin Bonnin, conquistou o Prémio Gaston Roch. A nota do júri descreve a obra como “bem construída, tanto visual quanto narrativamente”, numa história de perda que reaproxima amigos distantes. As Menções Honrosas foram para “Winter in March”, destacada pela realização, e “Swallow’s Tonada”, descrita como uma experiência “caprichosa e visceral”.

CRIAÇÃO PORTUGUESA E FILMES JOVENS

A competição nacional reforçou o dinamismo da produção portuguesa. “Wildflower”, de Carina Pierro Corso, venceu o Prémio António Gaio com uma reflexão visual sobre as decisões que moldam a vida. A Menção Honrosa distinguiu “Saudade, talvez”, de José-Manuel Xavier, que atravessa memórias e tempo numa tentativa de traduzir o sentimento de saudade.

Nos prémios Jovem Cineasta Português, “O Desafio de Joana” venceu até aos 18 anos, enquanto “Entre Pelos” venceu na faixa dos 18 aos 30. Ambos os filmes foram destacados pela abordagem sensível a temas sociais e corporais, usando a animação como espaço de expressão segura.

O FUTURO DO CINANIMA E A ANIMAÇÃO PORTUGUESA

No encerramento, o diretor Henrique Neves evocou o legado fundador do festival, a ligação à rede FAN e o trabalho regular com escolas, instituições culturais e ensino superior. Sublinhou ainda o programa educativo “As Escolas Vêm ao CINANIMA” e a ambição de avançar para a Casa CINANIMA – Museu da Animação.

Com o regresso dos prémios monetários, ausentes há mais de uma década, a edição de 2025 oferece um impulso adicional às equipas criativas. A diversidade das obras apresentadas e o impacto internacional de “Cão Sozinho” mostram um festival onde memória, experimentação e inquietações contemporâneas convergem para refletir sobre o modo como olhamos o mundo.


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